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18 março 2009

Látex

Sistema lactífero

O sistema lactífero está presente em diversas partes - raízes, caule, folhas e muitas vezes frutos - de inúmeras espécies de plantas. Esse sistema é constituído por células produtoras de látex e por tubos que conduzem esse fluido, localizados no córtex ou entre os elementos do floema. O látex é um fluido geralmente viscoso cuja composição varia consideravelmente entra as espécies, podendo conter proteínas, alcalóides, amido, acúcares simples, óleos, taninos, resinas e gomas. Quando exposto ao ar, o látex coagula, e essa parece ser exactamente uma das suas funções: vedar ferimentos superficiais da planta, o que evita a entrada de fungos e bactérias no organismo. Além de ter essa função protectora, o látex pode servir como reserva de nutrientes. Pode também evitar a predação da planta por animais, uma vez que geralmente apresenta sabor amargo e contém substâncias tóxicas.
O látex têm diversas aplicações. Uma delas é a confecção de gomas de mascar, obtida do látex de certas espécies. O ópio e outros produtos farmacêuticos são extraídos do látex da papoila. O látex da árvore Hevea brasiliensis, popularmente conhecida como seringueira e nativa da floresta amazónica, é utilizado na produção de borracha. O látex da seringueira circula em tubos lactíferos localizados na parte interna da casca na base do tronco.

Os seringueiros, como são chamados os extractores de látex, fazem um corte oblíquo nessa região do tronco, com alguns milímetros de profundidade, removendo uma estreita tira de casca. Os vasos condutores de látex são rompidos e o líquido escorre pelo sulco, sendo recolhido num pequeno recipiente preso ao tronco, na extremidade inferior do corte. As árvores são cortadas ao amanhecer, quando o fluxo de látex é máximo. Esse fluxo diminui com o aumento de temperatura e costuma cessar por volta das 15 horas.
Amabis e Martho - Biologia dos organismos

17 março 2009

Resina - Uma exsudação eficaz

Muitas plantas para além de efectuarem a translocação de seivas, também possuem células e canais internos especializados na produção de armazenamento de substâncias específicas. Esses produtos são muito variados e conferem às plantas que os produzem características muito próprias. Um exemplo muito comum é a produção de resina pelo pinheiro. Esta substância tem como finalidade proteger a árvore de parasitas e caso seja feito um corte no seu caule, ela é exsudada e utilizada pelo homem em diversos fins.
Um pinheiro de tamanho médio pode produzir 3-4kg de resina por ano. Os pinheiros produzem a melhor qualidade de resina quando estão em crescimento, por isso, o volume da colheita desce entre Abril e Setembro. O resineiro remove uma parte da casca na base do pinheiro, expondo a madeira em baixo. Coloca peças de metal no pinheiro para direccionar o fluxo da resina para os recipientes de barro ou plástico. Depois apanha a resina do recipiente e também do corte no pinheiro. Após remover a resina parcialmente cristalizada, a área é coberta com uma solução de ácido que estimula mais fluxo de resina. Cada ano é feito um corte mais acima no tronco do pinheiro. Quando o corte está para além do alcance do resineiro, este começa do lado oposto do pinheiro. Com o tempo, a casca vai crescer sobre o corte original.
Adaptado de Góis-pro

Anelamento em uvas

O anelamento na videira consiste na remoção de um anel de 3 a 6 mm da casca do caule ou de ramos lenhosos, como braços e varas. O anelamento secciona o floema e interrompe o movimento de açúcares para as raízes, acumulando a seiva elaborada na parte da planta acima da incisão. Para o êxito desta operação, ela deve ser realizada em plantas com idade superior a 3-4 anos, com bom vigor e estado sanitário. Os resultados alcançados dependem da fase do ciclo vegetativo em que o anelamento é realizado. Os principais objetivos são os seguintes:
a) Aumentar o tamanho das bagas;
b) Antecipar a maturação e melhorar a coloração dos frutos quando realizado no início do amolecimento das bagas ou mudança de coloração nas variedades rosadas ou pretas.

A combinação das práticas de anelamento e aplicação de giberelinas são comumente utilizadas em diversas regiões produtoras de uvas de mesa para aumentar o tamanho de bagas, especialmente em uvas sem sementes. Entretanto para que os objetivos sejam atingidos, é importante regular a carga nas plantas. O anelamento realizado consecutivamente, ano após ano, pode ainda reduzir o tamanho de cachos e a vida útil das plantas. Além disso, outra desvantagem que apresenta esta prática é funcionar como uma porta de entrada para fungos, especialmente Botriodiplodia theobromae ou bactéria (Xanthomonas campestris pv. viticola) que penetram, através dos cortes, no interior da planta.
Adaptado de Embrapa

16 março 2009

Curiosidades da seiva elaborada

É interessante lembrar que os insectos afídeos (pulgões), conhecidos como parasitas sugadores da seiva elaborada foram importantes indicadores de que esta flui sob pressão, e não sob tensão como a seiva bruta. Ao atingirem o floema com seus aparelhos bucais picadores, esses insectos permitem que a pressão da seiva bruta penetre no seu tubo digestivo e saia pelo ânus.
Outro aspecto tem relação com a maior parte das plantas actuais, incluindo as grandes árvores (angiospérmicas dicotilédoneas).
Nestas plantas a distribuição dos vasos no caule é organizada de tal forma que os vasos do xilema formam um cilindro central maciço coberto por um outro cilindro constituído pelos vasos do floema, os quais se encontram perto da casca da planta.
Assim, quando se remove um anel completo (chamado anel de Malpighi - nome do investigador que fez a experiência pela primeira vez) da casca de uma árvore, ocorre a destruição dos vasos de floema, provocando a interrupção do fluxo de açúcares em direcção à raiz, que não os produz, mas depende deles para a manutenção das suas células. A raiz passa, então, a utilizar as suas reservas de amido como fonte de energia. O fim das reservas resulta na morte das células radiculares, impedindo a absorção de água e nutrientes minerais, daí a parte aérea da planta morrer, também, posteriormente. Logo após a formação do anel é possível verificar um inchaço do caule acima do corte. Se o anel for feito especificamente num ramo da planta, este acumulará mais açúcares na região acima do corte, verificando-se maior facilidade na floração e na produção de frutos maiores e mais doces. Como a raiz continuará recebendo seiva elaborada de outros ramos completos não haverá prejuízo para o desenvolvimento da planta.
Adaptado de Passeiweb

Transpiração e Transporte de açúcares


Transporte nas plantas

A condução das seivas

Mecanismo de transporte da seiva bruta
Há três factores associados na condução da seiva bruta ao longo do corpo de uma planta:
Pressão radicular, fenómenos de capilaridade nos vasos lenhosos e tensão nas folhas.
A pressão radicular manifesta-se pela força de entrada da água, neste órgão, por osmose, elevando a coluna líquida já existente no xilema. Este fenómeno, porém, não existe em todas as plantas, e quando se verifica nem sempre permite explicar a chegada da seiva bruta à parte superior das mesmas. É mais fácil de verificar em plantas herbáceas e arbustos de pequeno porte, dando origem a fenómenos de gutação (ver figura) ou exsudação.
A capilaridade é a tendência natural da água subir em canais muito estreitos devido à adesão das moléculas de água nas suas paredes. Mas, é a sucção gerada nas folhas a força realmente capaz de fazer a seiva bruta subir pelo xilema até ao topo das árvores.
Dixon elaborou a teoria da tensão-coesão-adesão, a mais aceita hoje para explicar a ascensão da seiva bruta. Segundo esta, a perda de água por transpiração nas folhas gera uma força de tensão sobre as moléculas de água no xilema. Como essas moléculas possuem coesão (uma força de atração devida à interação por pontes de hidrogénio), uma puxa a outra e a coluna de água ascende dentro de cada vaso. Dessa forma concluir-se que quanto maior for a transpiração da planta, maior será a absorção de seiva bruta na raiz e sua velocidade de condução pelo xilema sob uma pressão negativa (tensão). Fica evidente a importância do reforço de lenhina nas paredes dos elementos de vaso para impedir o colapso dos mesmos submetidos à força de tensão. Se fossem moles, as células teriam tendência a unir as suas paredes, o que interromperia a passagem da seiva.
Mecanismo de transporte da seiva elaborada
Ernst Münch elaborou, em 1930, a teoria do fluxo de massa, a mais aceite actualmente para explicar o transporte de seiva elaborada sob pressão no floema. Segundo esta, a água da seiva bruta que chega pelo xilema ao órgão de maior pressão osmótica (geralmente, a folha) penetra nos tubos crivosos por osmose, empurrando a massa de seiva elaborada neles presente em direcção ao órgão de menor pressão osmótica (geralmente, a raiz).
A translocação ao longo do floema não envolve gastos de energia.
De uma forma sintética a hipótese do fluxo de massa acenta no seguinte:
- Síntese de açúcares nas células da folha (glicose e frutose) formando sacarose;
- Passagem da sacarose, por intermédio das células companhia, para os tubos crivosos por transporte activo (contra o gradiente de concentração)
- Entrada de água, por osmose, nos tubos crivosos;
- Turgescência nas células dos tubos crivosos, promovendo o transporte da seiva elaborada (água e acúcares) para os locais de consumo (caule, frutos e raízes);
- Passagem da sacarose para os locais de consumo, por vezes com gasto de energia, e seu armazenamento ou consumo, principalmente, na forma de amido;
- Diminuição da sacarose nos locais de consumo, provocando saída de água dos tubos crivosos que regressa de novo ao xilema por osmose.
Adaptado de Passeiweb

Xilema

Vasos condutores de seivas

As seivas são líquidos que preenchem os espaços internos da planta, deslocando-se no interior da mesma por translocação (mudança de um local para outro). As seivas podem ser classificadas em duas categorias: Seiva bruta e seiva elaborada.
A seiva bruta é uma solução de água com nutrientes minerais obtidos do ambiente, através das raízes, a qual é transportada até as folhas através de um tecido formado por vasos, o xilema. Ao chegar às folhas, a água da seiva bruta é utilizada na produção de uma nova solução que contém açúcares produzidos na fotossíntese e outros componentes orgânicos, a seiva elaborada. Esta última é enviada, de novo, a todas as partes da planta, alimentando as suas células, através de outro tecido vascular, o floema.

O lenho ou xilema é constituído por quatro tipos distintos de células:
Elementos de vaso, tracóides, fibras (sustentação) lenhosas e parênquima (reserva) lenhoso Todas estas células estão mortas com excepção do parênquima.
É nos elementos de vaso (maior calibre) e tracóides (menor calibre) que decorre a circulação de seiva bruta, daí estas células terem uma forma tubular, estando dispostas em colunas. A morte das células do xilema decorre da deposição de uma substância endurecedora, a lignina.


O liber ou floema é um tecido que possui, também quatro tipos de células:
Células dos tubos crivosos, células companhia, fibras liberinas e parênquima liberino. Todas estas células estão vivas, com excepção as fibras liberinas.
Os tubos crivosos, condutores de seiva elaborada, são células tubulares desprovidas de núcleo e vacúolo contendo nas suas extremidades uma placa crivosa. As células companheiras são nucleadas e não actuam directamente na condução de seiva, mas sustentam a produção de substâncias essenciais ao metabolismo dos tubos crivosos, mantendo-os vivos.

XILEMA -  FLOEMA

Adaptado de Passeiweb